08 março 2008

Rusty Long

Rusty Long esteve por estas bandas e tive que usufruir alguma coisa com a vinda dele cá, contente porque deixei de surfar sozinho por uns tempos, mas um pouco confuso sem saber o que vinha cá fazer!



Á partida não fazia a mínima quem era! Um american qualquer que se chama Rusty. Nunca se gabando mas era eu que ia perguntando, falava-me que já tinha surfado, Teahupoo, Waimea, Courtes Bank, Pipeline, Maverick, Jaws, Puerto Escondido, Todos os Santos(…) e que conhecia pessoalmente e até já tinha puxado em tow in uns amigos como Mike Parsons, Skin Dog, Peter Mel, eu cá para mim: “Ou ele está a dar-me uma ganda tanga, ou é mesmo um Cromo da Coisa.” Logo pensei como é que este rapaz franzino, que consegue ser mais magro do que eu, com mais ou menos a minha altura, andar anoréxico, que aparenta nem ter força para segurar um cão pela trela, possa ter surfado todos esses sítios monstruosos? Cheguei-lhe mesmo a perguntar se fazia alguns exercícios para suster a respiração ao que me respondeu que apenas fazia pequenos exercícios respiratórios um pouco semelhantes aos que se faz no Yoga – Respirar utilizando mais o abdómen e menos tórax.


Depois de começar a ter mais confiança perguntei-lhes o que vinham mesmo cá fazer? E se as fotos que tinham tirado era para publicar em alguma revista ou algo do género? Pois é assim Rusty Long procura patrocínios que o apoiem em grandes eventos. A sua vinda à nossa região é atrás de um swell que se dirigia para cá mas que entretanto mudou o rumo a outras regiões. Escolheu as ilhas mais a norte porque seria as que provavelmente seriam as mais atingidas pelo swell. Também utilizando o Google Earth, StormGuide já sabia onde existia a maioria dos Picos. Pedi-lhe que não identifica-se ilhas nem picos, a verdade é que responderam que nem sabiam se iriam ser publicadas as fotos tiradas cá, porque desejavam apanhar ondas maiores e melhores. Ainda vão à Madeira, Portugal, Espanha, França e Irlanda, portanto ainda têm muitos big spots para tentar a sua sorte. Depois os amigos de Rusty, irmãos gémeos Kitt e Cody disseram que mesmo que quisessem identificar as fotos o Rusty não deixaria. Isto mostra o tipo de pessoa e a compreensão e sensibilidade que têm em relação a estas situações. É mesmo boa gente.


Mostrou-me todas as suas pranchas no qual quase todas elas tinham round pin-tail ou pin-tail, à excepção da prancha maior que tinha, uma 7’2’’, com swallow tail. Todas elas com um shape mais direccionado para o Buraco e Martelos. Tem também uma Quad a mais pequena 6’2’’ com muito bom aspecto. Saquei os outlines e medidas de todas elas. Falamos um pouco das pranchas e como não podia deixar de ser fez uma visitinha a minha Shaperoom instalada temporariamente na Graceland. Gostou de todas elas, pelo menos foi o que deu a entender, mas particularmente apreciou e paparicou muito as Twin Fin, a minha e a do Quico. Só faltou mesmo dar uma voltinha numa Titu’s!


Foi sem dúvida das experiências mais interessantes que tive no que se relaciona ao surf, nunca pensei que esta estadia aqui fosse encontrar tal personagem e só a tive porque aqui estou, certamente já passaram muitas outras figuras do surf mundial que nem nos apercebemos.



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6 comentários:

Paulo disse...

Não vou pôr em causa a personalidade do Rusty Long, pois não o conheço. Ao ler este teu texto fez-me lembrar outras histórias passadas nestas ilhas em que a personalidade cool destes visitantes ligados ao negócio do surf e da divulgação das ondas desaparece mal entram no avião ao irem embora. Também já tive situações do género e decidi optar pelo mais seguro e não confiar. Como diz o ditado o seguro morreu de velho.

Como dizes andam à procura de patrocinios que lhes permitam continuar a sua carreira em busca das maiores ondas do planeta.

Achas que se apanhasem uma onda capaz de lhes fazer ganhar o Billabong challenge iriam manter em segredo a sua localização?

Achas que se tivesse de optar entre a promessa que te fez e um grande patrocinio se iria lembrar que te prometeu não divulgar as ihas e os seus picos?

Sem fazer qualquer juizo de valor deixo estas respostas para ti, pois acho que qualquer um sabe responder a estas questões.

Tito disse...

Pois! Vamos a ver. Eu confiei na palavra dos 3. Se eles curtirem as nossas ondas certamente vão querer voltar e ser bem recebidos novamente. Senão cumprirem com a palavra para isso estamos cá nós os locais. Também penso que se vierem à procura de ondas XXL não é um grande problema para nós pois nunca está crowd nessas alturas.
E mais uma vez digo que grupos destes vêm umas vez por ano e estou confiante que nunca passará disso. Pois quem é que quer ir fazer uma surftrip que corre o risco de ficar em terra a ver o mar flat para isso vão à Madeira ou até mesmo Portugal isto sem falar em todo o mar pacifico que de pacifico tem pouco. E como já disseram noutros blogue's que está a destruir as nossas ondas é os políticos. Temos é que aproveitar estes gajos e fazer coisas como as que se vão fazer, que é fazer os políticos verem que certos lugares devem ser preservados e não destruídos porque chamam gente de fora. Isto já que eles não nos respeitam que respeitem os turistas de que tanto gostam.

Anónimo disse...

boa Titu :)

paulo disse...

Olá Tito,

Pensar que a divulgação das ondas permite afastar o perigo de estas serem destruidas por projectos de construção civil, por esgotos ou por outra atentado ambiental qualquer infelizmente não corresponde à realidade, pois a tal divulgação não surte o resultado desejado.

Um exemplo disto mesmo é o caso da Madeira, na qual o surf está mais divulgado e "desenvolvido" do que nos Açores. Vê o caso do Jardim do Mar onde decorreu durante 2 ou 3 anos um campeonato internacional de ondas grandes que era apoiado pela Dir. Reg. do Turismo. Este apoio por parte dos governantes não impediu a construção de um passeio maritimo que quase destrui a onda. Este apoio pela D.R.T (ou seja pelos politicos) também não impediu que fossem, total ou parcialmente, destruidas outras ondas nesta ilha. Chegou mesmo a sair uma frase num jornal em que o Alberto João dizia e passo a citar "Acabou-se o surf na Madeira, vão surfar para outro lado. Não queremos esses turistas pé descalço na Madeira"

Mesmo no Havai, onde o surf está totalmente ultra-divulgado, ultra-desenvolvido e ultra-massificado acontece o mesmo, e a onda Mallaea, que é considerada a direita mais rápida do mundo está em vias de ser destruida por uma enorme marina.

A questão é que o poder politico move-se por grandes interesses financeiros e outros favorecimentos, para os quais as ondas nada contam e mesmo quando o turismo de surf tráz lucro, nunca é suficiente para competir com os lucros trazidos por outras formas de turismo, como os iates ou os paquetes de luxo.

Quando uma onda deixa de ser destruida, nunca é pela onda em si e pelo seu valor, mas sim por algum outro factor ligado, por exemplo, ao local ser ou poder vir a ser uma Reserva Natural ou abrigar alguma espécie em vias de extinção.

A meu ver, e pela minha observação pessoal, a divulgação das ondas e o desenvolvimento do surf não são factores impeditivos da destruição das ondas. Parece-me que com divulgação apenas se consegue atrair mais pessoas para um determinado destino, o que não é bom nem para quem já lá está e vive nem para quem vai lá se desloca de viagem pois encontram stress em vez de sossego.

Penso que a melhor maneira de salvar as ondas da fúria economicistas e destruidora dos politicos é criar grupos de pressão (como o SOS Terceira) que baseiem fundamentalmente a sua argumentação na protecção da Natureza e da orla costeira, e não directamente no surf e nas ondas. Isto implica a existência de pessoas com vontade de dar a cara e empreender tempo neste tipo de projecto.

Cada um terá a sua opinião, que será mais válida, quanto mais for apoiada em factos reais e concretos. Esta é a minha e aceito que discordem com ela.

Tito disse...

Concordo e já conhecia todos esses casos de que descreves-te. Já todos sabemos que os políticos estão mais interessados no que lhes entra no bolso.
Também fiz parte desse movimento SOS só não tenho estado mais integrado pelo facto de me encontrar noutra ilha. Já agora aparece dia 15 no parque do Porto Martins.
Só penso que os Long talvez mais facilmente cumprem com a sua palavra se estes forem bem recebidos (quando falo em bem recebidos também não é abrir as pernas). Se fossem corridos a pontapé isso só iria fazer com que a sua promessa fosse mais facilmente quebrada.
Continuo a dizer que é esperar para ver, ele deu-me a palavra, nisto deu-me o nome da revista que caso seja alguma coisa publicada para ir ver. ai veremos! Também não penso que será o fim do mundo. À 2 ou 3 anos esteve na terceira um Grupo de surfistas da Rip Curl The Search (que aqui sim à bastante publicidade)a fazer um vídeo de Santa Catarina e apanharam altas ondas que ainda estão na memória de todos nós. Fizeram uma promessa também, se cumpriram ou não, não sei porque nunca vi o vídeo. Mas senão cumpriram também não se notou maior número de surfistas vindo do estrangeiro, para além dos surfistas do costume.
Abraço e fica bem!

Tito disse...

E mais uma vez ficou demonstrado que esses turistas não querem saber disto quando sabem que altos spots estão a funcionar, todos os dias lá fora. Isto quando Santa estava ao nível deles. E eles mesmo estando cá procuram outras coisas.
Abraço